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‘...Mas se eu digo venha, você traz a lenha, pro meu fogo acender...’
Escrito por Rafael Ferro às 10h07
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Dias assim...

De Silêncio.
Dúvidas.
E esperas...
Escrito por Rafael Ferro às 17h08
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Move your body.

Hoje, eu sou Razão
Você, Emoção
Eu te dou o chão
E você me leva à lua.
Escrito por Rafael Ferro às 15h17
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Um Dia, de Mário Quintana.

[foto tirada da janela/céu do meu quarto]
Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra é bobagem. Você não só não esquece a outra pessoa, como pensa muito mais nela... Um dia nós percebemos que as mulheres têm instinto "caçador" e fazem qualquer homem sofrer... Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável... Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples... Um dia percebemos que o comum não nos atrai... Um dia saberemos que ser classificado como o "bonzinho" não é bom... Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você... Um dia saberemos a importância da frase: " Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..." Um dia percebemos que somos muito importantes para alguém, mas não damos valor a isso... Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas aí já é tarde demais... Enfim... um dia descobrimos que apesar de vivermos quase um século, esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer tudo o que tem que ser dito... O jeito é: ou nos conformarmos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutarmos para realizar todas as nossas loucuras... Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.
Escrito por Rafael Ferro às 15h13
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“O Maconheiro do Fantástico”
Marcelo Rubens Paiva vê hipocrisia brasileira sobre consumo de maconha

Se o consumo de maconha gera tráfico, que gera contrabando de armas, que alimenta organizações criminosas e um aparelho de Estado corrupto, discutir a sua descriminalização ou proibição interessa também aos não consumidores, que sofrem com a rotina da violência social.
No entanto, fugimos do debate. Nenhum personagem representa tanto a omissão como Tom, o adolescente maconheiro estrela de um reality show exibido em partes pelo Fantástico.
Ele agride o irmão, xinga a mãe, olha perturbado para o nada, come como um condenado em horas impróprias, a chamada ”larica”, segundo o apresentador, e ri como um demente para as câmeras. Só sossega quando vai à praça freqüentada por outros ”drogaditos” e fuma com gosto um baseado do tamanho de uma caneta.
Tratado como um caso grave, o inglesinho Tom repercute por estas terras, levanta questões como o que fazer em casos parecidos. Internação em clínica especializada (há mais de 150 credenciadas pelo Mistério da Saúde) foi a saída escolhida pela interatividade.
Walter Benjamin quem afirmou que uma das características da modernidade é afastar os problemas dos lares, já que os familiares produtivos não podem ficar à mercê dos cuidados que exigem os inadaptados: loucos, depressivos, alcoólatras, viciados.
Tom tem problemas, merece cuidados, e o que fazemos com ele? Transformamo-no em estrela do show da vida, acompanhamos com câmeras as suas maluquices, o desespero da mãe, e abrimos espaço para especialistas revelarem os seus pontos de vista, enquanto a produção fica de olho no Ibope minuto a minuto.
Ele aponta a hipocrisia desse gênero de show: queremos realmente curar alguém ou faturar em cima do drama alheio? Quanto a família recebeu da BBC, produtora do programa, para protagonizar o show? Tom recebeu algum? Como se chama a exploração e exposição das fraquezas humanas, visando ao lucro e à obtenção de vantagens pessoais?
Não se perguntou se o adolescente ficou daquele jeito porque fumava maconha, ou fumava maconha por ser daquele jeito.
Conhecemos maconheiros. Não é mais tabu falarmos desse tema com franqueza. A maioria dos que nasceram depois dos anos 60 experimentou. Temos amigos que fumam maconha. Temos parentes. Até a minha mãe já fumou numa festa.
No meio estudantil, muitos são usuários. No meio artístico, nem se fala. Certamente os apresentadores de tevê, diretores, produtores, câmeras e técnicos têm amigos maconheiros, já viram usuários e sabem que ninguém fica daquele jeito. Para que estigmatizar algo que é tão delicado ao Brasil, onde o crime organizado e narcotráfico obtêm lucros significativos ante a nossa incapacidade de lidar com o problema?
Não serei eu o mártir dessa causa. Muitos que abriram o jogo e buscaram um diálogo franco – como Soninha Francini, que foi demitida da TV Cultura, depois de afirmar que experimentou maconha –, pagaram um preço exagerado pela “ousadia”. Lembra a frase de Keith Richards, guitarrista dos Stones: ”Nunca tive problemas com drogas. Só com a polícia”?
Sairíamos ganhando se déssemos voz para o usuário defender o seu costume ritualista.
O Brasil quer se inscrever no time de grandes países. Sua economia é de peso. Culturalmente, é um País que inspira, cria uma legião de admiradores, propõe idéias novas no campo da moda, alegria, afetividade, relações humanas e estilo de vida. Na música, literatura, cinema e, claro, esporte, temos a nossa história, fãs, inovamos, recriamos.
No entanto, quando o assunto é direitos individuais – união civil homossexual, aborto, descriminalização da maconha –, estamos presos a tabus e idéias conservadoras, que não combinam com a fama de sermos o futuro. E aqueles que propõem discutir tais temas são reprimidos sob penas de leis anacrônicas e confusas.
Como a Lei 11.343, de 2006, que institui o Sisnad, Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas, que prescreve medidas para prevenção do uso indevido e estabelece normas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito, mas que contraditoriamente estabelece como princípio ”o respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana, especialmente quanto à sua autonomia e à sua liberdade, o respeito à diversidade e às especificidades populacionais existentes, a promoção dos valores éticos, culturais e de cidadania do povo brasileiro”, entre outros. Quem garante que a maconha não é parte da cultura e de rituais de um grupo, que quer garantir a sua liberdade e diversidade?
Você se lembra, na história recente, de alguma manifestação popular que tenha sido proibida no Brasil democrático? A Marcha da Maconha foi.
O Coletivo Marcha da Maconha Brasil é um grupo de indivíduos e instituições que trabalha de forma majoritariamente descentralizada, com um núcleo central que mantém um site de discussões na rede. O objetivo principal do Coletivo é criar espaços onde os interessados em debater a questão possam se articular e dialogar, estimular reformas nas políticas públicas sobre a maconha e seus diversos usos, ajudar a criar contextos sociais, políticos e culturais onde todos os cidadãos brasileiros possam se manifestar de forma livre e democrática a respeito das leis sobre drogas, exigir formas de elaboração e aplicação dessas políticas e leis – que sejam mais transparente, justas, eficazes e pragmáticas, respeitando a cidadania e os Direitos Humanos.
Muitos especialistas afirmam que o Brasil, diferentemente de outros países, não está preparado para uma lei mais liberal. Diante do impasse, a bandidagem sorri.
“O Maconheiro do Fantástico”, Por Marcelo Rubens Paiva para o jornal O Estado de S.Paulo.
Escrito por Rafael Ferro às 16h47
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Direções.

Ouvi alguém dizer o quanto é importante viver, ser bem sucedido, ter amigos, uma estrutura familiar, seguir um culto religioso, enfim cumprir a tabela ‘natural’ desse sistema chamado vida-hoje, ou ainda seguir as ‘setas’ e ‘direções’ que a mesma nos impõe.
Li uma matéria em uma revista de circulação nacional, na qual, um político dizia que o dia de eleição no país é visto como um velório. Concordo com ele, e vou mais além.
A marcha fúnebre segue alegre no longo caminho dessa vida terrena / vida brasileira.
Talvez, pense assim, por diariamente ver nos rostos da rua, a perda do ente querido a cada amanhecer: o viver!
Assim, velamos dia após dia o nosso outro.
Escrito por Rafael Ferro às 13h09
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Trecho de ‘O Cobrador’, de Rubem Fonseca

Tão me devendo colégio, namorada, aparelho de som, respeito, sanduíche de mortadela no botequim da rua Vieira Fazenda, sorvete, bola de futebol.
Fico na frente da televisão para aumentar o meu ódio. Quando minha cólera está diminuindo e eu perco a vontade de cobrar o que me devem eu sento na frente da televisão e em pouco tempo meu ódio volta. Quero muito pegar um camarada que faz anúncio de uísque. Ele está vestidinho, bonitinho, todo sanforizado, abraçado com uma loura reluzente, e joga pedrinhas de gelo num copo e sorri com todos os dentes, os dentes dele são certinhos e são verdadeiros, e eu quero pegar ele com a navalha e cortar os dois lados da bochecha até as orelhas, e aqueles dentes branquinhos vão todos ficar de fora num sorriso de caveira vermelha. Agora está ali, sorrindo, e logo beija a loura na boca. Não perde por esperar.
Este conto está no livro O Cobrador.
Escrito por Rafael Ferro às 13h25
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Trecho de 'Meu Avô', de Rubem Fonseca

O cinema aonde íamos era um poeira perto de casa, na Praça Onze, esse cinema já acabou, passava três filmes seriados, filme seriado também acabou. Depois tomávamos cerveja preta com tremoços. Meu avô bebia cerveja preta com tremoços, eu comia os tremoços com um refresco de groselha. Tremoço acabou e aquela cerveja preta acabou, o refresco de groselha também não existe mais, puta-que-pariu, acabou tudo, até a profissão do meu avô acabou.
Este conto está no livro Pequenas criaturas.
Escrito por Rafael Ferro às 13h12
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Quarto sujo de um hotel qualquer. Em algum lugar da cidade.
Um colchão suspenso no preto. As roupas espalhadas do avesso.
Um fumo e um copo com vodka, gelo e limão.

Ele: (Sentado, a observar o corpo da mulher desejada) Adoro quando você empina sua bundinha, e me pede pra que a penetre por trás!
Ela: (De bruços com a bunda empinada) E eu adoro o jeito como você me puxa pelos cabelos, dizendo o quanto fica excitado com meu sexo... Sinto-me a mulher mais feliz do mundo!
Ele: (Questionador) ‘A mulher mais feliz do mundo?’ Apenas por tocar-lhe o sexo? Por simplesmente mergulhar em teu corpo e satisfazer minha carne?
Ela: (Gozosa) Talvez. Ou ainda por saber que me usa como uma puta e me paga em noites de prazer. Quero tê-lo em mim, por perto, pra sempre.

Ele: Preciso ir! (Dá a última golada no copo, já marcado pelo transpirar de suas mãos).
Ela: Mas já meu amor?! Ainda não terminamos! Nem amanheceu! A vaca ainda não ligou! (Faz referência à esposa mostrando o dedo do meio).
Ele: Mas preciso mesmo ir. (Se veste).
Ela: (Ela continua nua e deitada na cama) Tudo bem. Pode ir. Nos vemos amanhã?
Ele: Não sei. É melhor não programarmos nada. Nos vemos assim: quando a vida nos permitir.
Ela: Eu te Amo!
Ele: Eu também.

Escrito por Rafael Ferro às 15h10
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Ela dança ou ainda Junia Magi.

É você que vêm assim,
Pele clara, morena de jambo,
Se remexendo todinha pra mim.
O balançar do corpo me diz,
O convite que esperas de mim.
Não apenas uma noite de amor,
Mas centenas de vida a dois.
Escrito por Rafael Ferro às 16h06
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Jesus de Pedro Luis e a Parede.

Dizem que Jesus morreu na cruz,
Mas eu tive com ele na Dutra, em Queluz.
Levava na cabeça um tabuleiro de cuscuz.
Cocada de céu, cocada de luz
Cocada de céu, cocada de luz
Cocada de céu
Jesus, Jesus
Jesus, Jesus
Jesus...
Galo cantou: Jesus!
Pneu furou: Jesus!
Vestibular: Jesus!
Atravessar o mar: Moisés!
Sobre as ondas com os pés: Jesus!
Como Jojó de Olivença: Zulu!
Nós vamos tirar Jesus da cruz, porque o rapaz está pregado naqueles pedaços de pau há mais de dois mil anos. Vamos deixar ele com os pés e as mãos livres, que ele vai pular, dançar, virar cambalhota, e fazer muito melhor.
E vai no lombo do cavalo,
Galopando pelo espaço.
Salve a agricultura celeste.
Escrito por Rafael Ferro às 15h31
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Não apenas não existe Deus, como tente encontrar um encanador num fim de semana.
Woody Allen.
Escrito por Rafael Ferro às 15h43
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O universo não passa de uma idéia passageira na mente de Deus – o que é um pensamento duplamente desagradável se você tiver acabado de pagar a entrada de sua casa própria.
Woody Allen
Escrito por Rafael Ferro às 12h22
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11 vezes amor

Pensei em escrever algo sobre o amor.
Sobre a falta dele também.
Em mim (corpo velado).
Nos outros (corpo agregado).
Na minha vida dos outros,
Da vida dos outros em mim.
Um amor que diz respeito a mim.
Um amor que diz respeito ao amor.
Um amor que não diz respeito a você.
Pensei em não pensar sobre o amor que corrói, como ácido fluorídrico.
Como o amor de Jonas e a baleia.
O mesmo amor de Caim e Abel (como a abelha e seu ferrão).
O amor de Cristo e sua cruz.
O amor da puta Madalena e o carrasco filho de uma puta também.
O seu amor prostituto dispensado a mim.
A minha vida prostituída em suas mãos.
Mãos de carrasco roedor.
Vômito a ânsia dentro de mim,
E fico entre a cruz e a espada.
Escrito por Rafael Ferro às 12h53
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Eu quero que os dias me digam o que fazer
e não minhas sentenças.
Eu quero querer
e ser enfim só aquilo que sou.
Assumir em mim todas as contradições,
ver o viver ganhar a briga.
Ser inteiramente feliz
e inteiramente triste,
quando a vida assim o pedir.
E depois, falar tudo o que me vier.
E todo o que acabar
só me doer o fim
e não mo que não foi.
Sorrir o alívio de só ouvir
o que inevitável se dizer.
Mudar.
Não suprimir.
Viver é uma necessidade da alma
e um dever que só cabe a mim.
Aline Binns
alinebinns@hotmail.com
Escrito por Rafael Ferro às 13h12
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